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Young Woman with Umbrella in SunshineHoje foi mais um dia na minha luta em busca de tratamento/terapia. Na verdade a minha busca não é busca-avançada justamente porque um dos aspectos do meu problema é o não saber lidar com a rejeição. Então muitas vezes eu evito tentar pra não ter que passar pela decepção de não conseguir.

No caso da busca por uma solução cada alternativa é uma esperança e cada esperança que morre parece que é um pedaço da minha sanidade/saúde/vida que se vai. As alternativas que conheço são: posto saúde, faculdades, entidades filantrópicas, amigos, caps, fazer uma ‘auto-terapia’, tudo isso eu já tentei, agora me resta o HC em um dos seus trocentos ambulatórios psiquiátricos achar um que se encaixe em mim e daí rezar pra conseguir uma vaga. Consegui um nome e uma data pra a partir daí tentar todo o processo.

Se não der certo é torcer para ter lembrado de deixar lenço de papel a mão e para conseguir segurar pra desabar num local menos fechado e exposto que o HC. Depois re-hidratar, juntar os cacos e  re-tentar todas as alternativas outra vez, até alguma dar certo ou acabar motivo pra buscar ajuda. Pagar? Sabe quando você se encontra num ciclo vicioso? Preciso melhorar pra poder trabalhar, preciso trabalhar pra poder pagar, pra poder melhorar…. Então vamos na luta descartando uma

possibilidade irreal…. Vamos a luta, mesmo que seja a passos lentos.

Mas porque doí tanto? Muitas pessoas devem se perguntar. A resposta não é simples. Parte é um desiquilíbrio da química cerebral, parte vem da minha história de vida que não é das mais bacanas (mesmo não sendo das mais terríveis) e parte vem do mundo. Do mundo? É do mundo!

– Ontem do nada uma antiga e distante amiga me bloqueou no twitter, não sei o que eu fiz pra ela, não sei se a ofendi, não sei se ela foi falsa na última vez que me viu, não sei se ela por ser ‘famosa’ no twitter se sentiu incomodada com uma postura de amiga e não de fã. Eu não sei se foi loucura ou se foi maldade. E essa dúvida me corroí.

– Hoje no HC estava caminhando em direção ao prédio de psiquiatria, mas não conhecia o lugar e perguntei pra um funcionário que vinha daquela direção, ele disse que eu estava na quadra errada, por sorte desconfiei e pedi informação pra outra pessoa. Eu não sei se ele é muito burro, se ele confundiu os lugares ou se me sacaneou de propósito (e sem propósito, afinal o que ele ganha com isso?). E essa dúvida me corroí.

– Acabo de ouvir minha mãe chorar, ela é uma pessoa muito limitada e não consegue dialogar. Por conta dessa falta de dialogo o que é complicado vira uma novela e passo por isso todos os dias, já que me enfiei num buraco, perdi tudo e tive que voltar a morar com ela. Eu não consigo lidar com a burrice dela, não sei o que fazer pra contornar isso, pra fazer com que ela me esculte ou pelo menos fale as coisas sem gritar, ofender, machucar e simplesmente ‘resolver’ tudo da pior maneira possível. E essa dúvida me corroí.

– Infelizmente minha mãe não é a única pessoa burra com quem convivo. Tenho várias pessoas ‘limitadas’ perto de mim, direta ou indiretamente. E a burrice dessas pessoas torna a minha vida mais difícil, seja o atendente de telemarketing/recepcionista que demora meia hora pra entender o que eu quero que ele faça ou o idiota que ‘acordou’, pintou a cara e entoou “Sou brasileiro com muito orgulho”, nas ruas um mês atrás, mas que não entende a diferença entre  posições políticas e partidos políticos… Eu não entendo porque as pessoas tem tanta dificuldade/preguiça/falta de capacidade em pensar. E essa dúvida me corroí.

E tem a maldade. “Eu vejo gente má o tempo todo”. A maldade é tanta no mundo que ela grita o tempo todo em meus ouvidos e por mais que eu tente abafar os gritos da maldade eles são mais alto…

A maldade está em cada pessoa que passou pela minha vida e fez questão de me machucar. Está no meu pai, até sua raiz de cabelo. Está em todos os babacas pelos quais eu tenho me sujeitado a ficar em troca de migalhas. Está nos fdps pelos quais eu me dediquei e que nada me deram em troca, nem amor (amigos, namorados, maridos). Está em cada pessoa que eu estendi a mão e recebi a ingratidão. Está em cada hipócrita que nunca foi nada meu, que não sabe quase nada sobre mim mas se sente no direito de me julgar. Está em cada fdp pra quem eu nunca fiz nada de mal, mas ele regozija diante das minhas dores.

A maldade está na sociedade. Está no casamento falido, no carro do ano daqueles que se preocupa mais com status e aparências do que com sentimentos. Está no abandono e maus tratos aos animais. Está nas filas dos hospitais. Está no caos do trânsito. Está no cinza do céu de São paulo. Está no rosto da criança que pede dinheiro no semáforo. Está num pai que atira sua filha de um prédio classe média por capricho da sua nova esposa e no que atira seu filho contra parede da favela apenas porque o choro o incomodou. Está nos dois lados da arma daqueles que transformam vidas em estatísticas. Está em cada segundo de cada ato de terror de um estuprador e de um pedófilo. Está no estado que não é capaz de nos proteger desses lixos. Está na TV que se preocupa mais com seu ibope do que se está pondo vidas em risco com suas coberturas ao vivo e que passa cenas de mortes violentas como se fosse algo natural. Está até em pequenos atos do cidadão comum que acha que jogar papel no chão, ocupar vaga reservada pra cadeirante, ser falso, ser grosseiro, ser fofoqueiro…. são coisas que não vão prejudicar ninguém.

A MALDADE ESTÁ NO ESTADO. NAS IGREJAS. NA MÍDIA. NA MORAL NOS BONS COSTUMES. NO PRECONCEITO. NO LIVRE COMERCIO. NO MERCADO FINANCEIRO. NAS PRISÕES. ESTÁ EM MIM E ESTÁ EM VOCÊ!

O medo, a dor, a mágoa e o rancor ocupam um espaço muito grande dentro de mim. É tão grande que parece que é maior e mais forte do que eu mesma. Além de todas as dúvidas e dores que carrego dentro de mim, pensar no sofrimento que toda essa maldade causa no mundo: em todas as crianças, em todas as pessoas, em todos animais, em todas as árvores, em tudo que tem vida e até mesmo nas pedras sem vida mas que fazem parte desse mundo que deveria ser bonito… São tantas guerras, tantas injustiças, tanto egoismo, tanto lixo… É tanta angústia que as vezes parece que eu sinto o sangue daqueles que sofrem, como se todas as ruas estivessem pintadas de vermelho e o cheiro do seu medo e da sua dor se misturasse no ar,  e como se nada, nada pudesse aplacar essa dor, pois por mais que eu lute eu não vou conseguir diminuir a dor no mundo, já que não consigo nem mesmo diminuir minha própria dor…

Então eu me fecho no meu casulo e me cerco da arte uma das poucas coisas que entende essa dor e que ao mesmo tempo alivia.

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