Disse anteriormente que não tinha opinião sobre o que estava havendo na USP pois não sabia ao certo o que estava acontecendo.Pesquisando me tornei contra a presença da PM na USP .
Muitos amigos meus publicam coisas contra e outros a favor aos estudantes no facebook. Apesar de respeitar todos percebi a diferença entre os discursos. Os que são contra sempre num tom generalista de “maconheiro, filho de papai, depredando patrimônio público tem mais que apanhar” e os que são a favor colocando argumentos e textos mais explicativos.

Acho que o estado aproveitou o recalque criado contra a USP pra usar isso a seu favor. Possuo, partilho e compreendo totalmente esse recalque, ver nossa maior faculdade ser pública porém com tão poucos alunos de média e baixa renda é algo que dá tristeza a todos nós. Mas a discussão não deveria girar em torno do status social de quem está na USP ou sobre a legalização da maconha e sim sobre violência, autonomia, direitos, deveres, desperdício e abuso de poder.
Vejo muita gente clamando que tem mais que descer borracha neles sem perceber o quanto é ofensivo e desperdícios a situação descrita abaixo:
Segundo a PM, os estudantes estavam dormindo por volta das 5h, quando a operação começou. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM foram acionados, além de um helicóptero Águia e de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e do GOE (Grupo de Operações Especiais).
400 policiais pra prender 70 “filhinhos de papai”? A bandidagem agradece poder roubar em paz. Afinal com 400 policiais ocupados prendendo estudante imagino como as coisas devem ter ficado tranqüilas pra eles…
Eu poderia parar o texto por aqui. Afinal 400 x 70 da 5,7 policiais por estudante qualquer pessoa capaz de raciocinar um pouco conseguiria perceber o exagero com que o assunto vem sendo tratado.
Mas brasileiro é um povo que está mal acostumado. Depois de tantos anos de colonização, coronelismo e repressão brasileiro aprendeu a tomar no rabo, abaixar a cabeça e agradecer.
Maconheiros filhos de papai? Ok todo mundo sabe que o consumo de drogas na USP é (ou era) uma constante, mas isso não torna a USP uma filial da cracolândia. Não vou fazer um discurso pró maconha, mesmo porque seria desviar o assunto, mas se é de conhecimento de todos que os índices de violência são grandes dentro da USP e por isso a reitoria pediu a PM dentro da cidade universitária, não deveria ser papel dessa PM procurar bandido ao invés de “maconheiro filho de papai”? Por acaso são alunos da USP que assaltam lá dentro? Sem falar na questão dos estupros da USP que vivem entre a esfera do terror e da lenda urbana.
Quem gosta de ser revistado? As pessoas falam que na USP a lei deve ser igual pra o restante da cidade, você gostaria de estar andando na Avenida Paulista e ser revistado? Assim a troco de nada? Sem ter tido uma atitude suspeita ou alguma coisa que justifique o ato? Pra quem não sabe, antes de prender 3 estudantes fumando maconha a polícia deu diversas gerais nos alunos, como se os mesmos fossem os suspeitos e não as vitimas. Classe alta ou não, são cidadãos que pagam impostos e estão lá buscando um futuro melhor pra si. Não devem ser tratados feito marginais.
Protesto pacifico não dá resultado. Acho incrível essa mania de brasileiro de achar que protesto tem que ser feitos sem parar a Paulista, sem pichações e muito menos depredações. Isso não existe! Tirar a roupa pode no máximo render uma nota. Tem que fazer barulho, causar tumulto. Só assim as coisas mudam. A única coisa discutível é a depredação.
Não vou dizer que não houve exagero por parte dos estudantes. Houve sim. Também acredito que eles deveriam ter desocupado a reitoria em sinal de legetimizar o protesto. Mas tem que ser muito cego pra não ver que o erro é dos dois lados.
Eu era contra a retirada da PM do campus, hoje sou a favor, pois pra mim ficou claro que a PM está aproveitando de uma condição social (a violência que chegou até a USP) pra mostrar “quem manda” e quem manda em São Paulo deveria ser o cidadão, no máximo o estado e não a PM.
E como combater a violência no local sem PM? Que tal com inteligência e boa vontade? Começando por iluminação e reforço da guarda local que acionária a PM quando visse algo suspeito. Discutindo com alunos, funcionários e freqüentadores do local formas de combater a violência sem que pra isso o cidadão seja violentado. Quem sabe a USP, sendo uma faculdade, não poderia criar um sistema de segurança inovador, eficiente e ameno que pudesse ser copiado pra fora da USP. Mesmo porque a cracolândia está espalhada pela cidade provando que a forma como o estado vem tentando resolver o problema está muito longe de ser certo…
Textos que eu li e recomendo:
A USP deve ter autonomia, sim! por Lincoln Secco, de um professor da USP, revoltado com a postura da PM mesmo antes da retomada da reitoria.
Desabafo de quem tava lá [Reintegração de Posse] por Shayene Metri, texto do Facebook escrito por uma aluna que era contra a ocupação e estava lá como reporter do jornal da USP.
Muito além da polêmica sobre a presença ou não da PM no campus da USP por Raquel Rolnik, a urbanista coloca 3 pontos em questão entre eles o próprio urbanismo da USP servir para facilitar a violência.
USP: autonomia seletiva por de Leonardo Calderoni e Pedro Charbel. Alunos da USP que colocaram em questão o argumento “a PM tem que estar na USP pois a USP não é uma ilha” como se a presença da PM fosse tornar a cidade universitária um espaço de todos.
Ordem über alles por Walter Hupsel, texto no qual me inspirei que enfoca a situação surreal que estamos vivendo.
Tucanos talibãs vs. petistas xiitas: quem ainda agüenta essa briga? por André Barcinski. Texto que fala mais sobre as disparidades e exageros que cercam essa discussão.
ok… vou tentar colocar meus argumentos seguindo seu texto como base para que seja fácil ver meus contra pontos.
1 – se seus amigos que falavam contra a ocupação só falavam textos chaves e palavras padrão e os a favor utilizavam textos mais longos e explicativos não quer dizer que os primeiros estão errados e os segundos corretos, considerando que ambos são seus amigos, e há um nível intelectual médio no grupo, apenas quer dizer que seus amigos a favor do movimento se interessaram mais sobre o assunto e foram buscar os argumentos que favorecem o ponto de vista deles, enquanto os outros tratavam isso como mais uma bobagem e não se preocuparam em gastar mais de 2 segundos com o assunto para compartilhar uma figura pronta que mandaram pra ele no facebook.
2 – os 400 policiais não foram usados para prender os 70 filinhos de papai, se você observar a qualquer video, sendo ele de imprensa oficial ou de um partidário de esquerda extrema que acha que a polícia é o Demônio opressor (personagem ficticio), mas que filmou e divulgou a operação de reintegração de posse, pode ser observado que na verdade a quase totalidade to efetivo policial foi utilizado para formar um cordão de isolamento entre o CRUSP (moradia de alunos da USP) e o prédio da reitoria, os quais são muito próximos. Não sei quantos alunos moram no campus hoje em dia, na minha época eram cerca de 1500 alunos. Agora imagine que a operação fosse montada impensadamente com apenas 30 policiais armados, mais que suficiente para tirar pacificamente 70 alunos desarmados ou armados com paus e coquetéis molotov, que seja. Havendo conhecimento do pessoal do CRUSP sobre isso, eles tentariam impedir a ação policial, oque inclusive tentaram alguns mesmo com um cordão de isolamento a ponto de terem os policiais de usar a força para impedir que passasem e fossem impedir o cumprimento do mandado, que vc acha que aconteceria se, digamos… 400 pessoas cercassem e começacem a pressionar os 30 policiais armados que estavam com os 70 presos? Eu antevejo a possibilidade de uma tragédia, em que um estudante mais animadinho com a superioridade numérica dá uma paulada em um policial que dá uma cacetada vira uma briga generalizada e quando 30 são acuados por 400 e esses 30 tem armas de fogo, eles a usarão.. No outro dia a manchete será “policia militar mata 10 alunos e fere 30 em reintegração de posse criminosa na USP”. O efetivo numeroso é utilizado em lugares onde há possibilidade de comoção popular, é um dos mais efetivos e antigos sistema de estratégia policial para preservar a integridade de todos os involvidos, policiais e civis.
3 – A questão de quem revistar é quase tão problemática quanto a passada. Infelizmente não há metodo para esquadrinhar uma aglomeração de pessoas e saber quem é bandido e quem é estudante, e num país onde a maioria dos criminosos (adultos) é de idade entre 18 e 30 anos, e os estudantes se encontram na mesma faixa etária, torna-se quase impossível esse feito. Consigo pensar em duas maneiras e ambas são horrendas. A primeira consiste no parâmetro racial. Considerando que a população carcerária brasileira é em sua maioria constituida de mulatos ou negros então a polícia focaria sua atividade nessas pessoas. A outra seria o parâmetro socio-econômico, considerando que a maioria das pessoas encarceradas são pobres, seria esse o foco das atividades policiais. Assustador, não? Também acho… Infelizmente ninguém tem bandido estampado na testa. Tanto estudantes como criminosos usam tenis, calça de moleton, jeans, tactel ou oque o valha, camiseta e podem ou não usar mochila (ou vc acha que bandido não tem nada para carregar?). Então a questão é, existindo uma ocorrência ou se revistam todos, ou não se revista ninguém. Se existe um patrulhamento e um programa preventivo, algumas vezes algumas pessoas deverão ser paradas e inquiridas ou até mesmo revistadas. Não ligo se me revistarem, sei que o fazem porque estão procurando algo e eu não tenho oque procuram.
4 – Protestos pacíficos dão sim resultado. Interessantemente entre as pichações da reitoria havia uma frase da pessoa mais bem sucedida neste sentido, um indiano baixinho e magro, chamado Mahatma Gandhi. Não é necessário ser criminoso para ser ouvido. O DCE tem dinheiro de sobra, além disso como se pode verificar no momento de pagamento de fianças, tem apoio de um movimento partidário milhonário. Se querem fazer reformas, há meios legais e não revoltosos de fazer, se querem fazer manifestações… a USP tem cerca de 80 mil alunos, se desses ai 10 mil cercarem meia duzia de prédios da direção da usp e se recusarem a dar passagem ja irá gerar notícia… talvez não no primeiro dia, talvez até demore uns dois dias, mas a midia não pode se negar a um fato desses por muito tempo “pega mal”. Outra coisa que deslegitimiza a ação dos alunos é que foi uma decisão de minoria. No video mais manipulador e de esquerda que circula o youtube, em que um rapaz inteligente, articulado e de fala mansa, desfia inverdades sem nenhum pudor ( http://www.youtube.com/watch?v=K71noW-3We0) ele mesmo admite que: a) a decisão de invadir foi tomada por cerca de 400 a 600 alunos que estavam por perto tumulto com a policia, ou seja, uma minoria ridicula e inexpressiva, além do mais de cabeça quente e revolta a mil, b) quando a assembléia foi feita em moldes melhores foi votada a desocupação, que foi desobedecida e alunos partidários da invasão fizeram uma segunda votação após o esvaziamento da assembléia onde decidiram por manter a “ocupação”.
Além disso o meio de ocupação : na surdina, à noite, destruindo a porta de entrada, destruindo cameras e patrimônio da reitoria. Tudo isso tira qualquer legitimidade do protesto.
5 – Eu adoraria achar que iluminação e uma policia auxiliar que chama a policia militar resolveria o problema da USP. Porém estamos falando de São Paulo, e nada é imediato em São Paulo. Se formos tratar o crime em algum lugar de maneira a atender as ocorrências, registrar e depois ir atrás dos bandidos, acredito que ja perdemos esta batalha. Temos que ter um plano de prevenção de crimes e não de resolução dos mesmos e por isso a polícia ostensiva é necessária. É bastante lógico que presença policial efetiva e constante em um lugar tem o condão de desestimular a pratica de crimes, afinal bandido não quer ser preso, não quer enfrentar a polícia. Bandido não quer problemas, ele busca a facildade e não a dificuldade. Policia de Campus com sindrome de “bedel” apenas vai fazer com que a noticia dos crimes chegue sempre à policia de verdade. Quanto ao sistema inovador de prevenção ao crime, ele não existe no momento, e a necessidade é imediata. Temo ainda que se ele for inventado por alguém que cursou a USP, ele será escondido, vendido para uma empresa estrangeira por uma fábula em dinheiro e revendido para o Brasil por um preço que será umas 1000 vezes esta quantia. Infelizmente não há magica. Para diminuir com a criminalidade o caminho é arduo. Passa por uma formação educacional descente, uma formação´cívica e moral que hoje é inexistente e uma reincerção de bondade nas pessoas para que vejam os menos afortunados como pessoas e não como problemas sociais. Não é facil e principalmente não é imediato. Porém neste meio tempo é necessário proteger as pessoas inocentes de quem está ali para cometer crimes, e infelizmente até hoje a única solução que foi encontrada foi o do patrulhamento ostensivo e da vigilância constante, indiscriminada e intolerante frente ao crime. Mesmo que seja uma mera posse de droga para consumo.
Espero que meu tempo aqui sirva para que voce veja que há também argumentos contra esses que você encontrou na internet.
Eu não advogo que sou o detentor da verdade, e se em alguns pontos pode parecer assim, é apenas um meio incisivo para demonstar os argumentos da minha visão e não para atacar a pessoa que tem visão diversa, ainda que possa atacar os argumentos desta pessoa.
Tenha uma ótima semana e fique com Deus.
Eu poderia até ficar aqui e desconstruir o “desabafo de quem estava la” com uns mil argumentos, que a pessoa que está escrevendo isto tem uma opnião bastante clara e ela é pró movimento, etc. Porém o mais forte deles é que no relato ela parece ser onipresente. Ao contrário do que ela mesma diz, que era impossivel passar pelo cordão de isolamento, ela relata coisas que se passaram dentro e fora deste cordão de isolamento, e além disso relata testemunhos de tudo que ocorreu, salvo oque aconteceu dentro da reitoria, unico lugar que ela alega que não estava. Outra coisa interessante é que a idéia de que dois estudantes ocupantes estavam com ela e voltaram para dentro, e não avisaram os outros (que foram muitos pegos dormindo) é estranho. Outra coisa é. essa menina com celular recebendo mensagens de todo tipo, reporter do jornal X e ela não tem a presença de espirito de gravar um videozinho? Bem… eu tenho poucas duvidas que este texto seja montado.
> 1 – se seus amigos que falavam contra a ocupação só falavam textos chaves e palavras padrão e os a favor utilizavam textos mais longos
Não foram apenas meus amigos. Passei umas 2h lendo argumentos contra e a favor antes de escrever. Um dos maiores erros da ocupação foi ver que as pessoas (imprensa, populares e sociedade como um todo), associaram o ocorrido ao fato da ‘prisão’ dos 3 rapazes. Eles deviam ter recuado e retomado os protestos mais tarde desvencilhando os fatos.
Foram textos de amigos (e repasses) que me chamaram a atenção, mas os artigos linkados são de um professor da USP, uma urbanista, um colunista do yahoo e uma estudante de jornalismo que deixou claro que estava tentando ficar isenta, como pode a profissão.
Os textos contra houve de amigos sim, mas vi MUITA COISA tanto no facebook, quanto em portais de notícias com essa postura de ‘maconheiro tem mais que levar porada’ e se é de conhecimento que existe violência na USP a polícia deveria estar buscando formas de combater a violência e não se preocupando com aluno fumando maconha.
> não se preocuparam em gastar mais de 2 segundos com o assunto para compartilhar uma figura pronta que mandaram pra ele no facebook.
Notou o título deste texto? Sou meio dispersa, por isso não escrevo tanto quanto gostaria, mas quando teve a polêmica Rafinha Bastos, discuti com uma guria que acabou confessando que sequer sabia o que estava acontecendo.
São vários temas dentro de um acontecimento. As pessoas não procuram apurar ou pensar sobre o que está na frente delas, vide um cara que parece ser esclarecido e repete as mesmas coisas que a imprensa disse “playboy maconheiro tem mais que apanhar…”
> 2 – os 400 policiais não foram usados para prender os 70 filinhos de papai, …. pode ser observado que na verdade a quase totalidade to efetivo policial foi utilizado para formar um cordão de isolamento entre o CRUSP (moradia de alunos da USP) e o prédio da reitoria
Olhando por esse prisma, talvez você esteja certo. Na verdade ambos os lados estavam errados PM e estudantes, meio difícil saber como terminar o impasse da melhor forma possível.
> 3 – A questão de quem revistar é quase tão problemática quanto a passada. Infelizmente não há metodo para esquadrinhar uma aglomeração de pessoas e saber quem é bandido e quem é estudante …. Então a questão é, existindo uma ocorrência ou se revistam todos, ou não se revista ninguém. Se existe um patrulhamento e um programa preventivo, algumas vezes algumas pessoas deverão ser paradas e inquiridas ou até mesmo revistadas.
Existe uma forma de diferenciar quem se revista que é pela observação da atitude suspeita. Pelo que eu entendi do artigo do professor não foi uma revista a meia dúzia e sim um enquadro geral. Não foi uma medida de segurança e sim uma demonstração de poder. Quem vai pra roubar vai pra locais ermos e não pra aglomerações.
> 4 – Protestos pacíficos dão sim resultado. …. Mahatma Gandhi.
Gandhi apanhou pra caramba, foi preso, fez greve de fome e nada do que ele sofreu impediu que várias violências fossem cometidas, inclusive contra ele mesmo. Pra mim citar Gandhi como exemplo de protesto pacífico é um erro. Ele é um exemplo de altruísmo e não de que protestos sem violência dão certo, afinal ele não praticou, mas sofreu violência. Quem está disposto a se sacrificar dessa forma?
> meia duzia de prédios da direção da usp e se recusarem a dar passagem ja irá gerar notícia…
Concordo que teria sido uma estratégia melhor, mas pra muita gente eles continuariam errados… a forma de protesto escolhido foi desastrosa, mas mesmo você impedir a entrada de uma pessoa é uma forma de violência.
Que os alunos erraram feio na estratégia deles não tem o que discutir…. mas eu não creio nessa de protesto pacífico. Tem que parar a avenida paulista, tem que fazer barulho e causar algum transtorno. Ninguém se importa se você ficar pelado ou fizer greve de fome, a sociedade só vai prestar atenção se vc atrapalhar a rotina deles. Quando iniciei esse blog descobri umas gurias que ficaram 4 dias peladas na praça da república e isso não saiu em quase lugar algum:
http://anacranes.wordpress.com/2007/07/15/ninguem-mais-liga-pra-protestos-de-pelados/
Lógico que eu não gostaria que queimassem meu carro (caso tivesse) no meio de um protesto e lógico que o que ocorreu na USP não é pra tanto, mas na minha opinião, passeata contra a corrupção ou medidas econômicas prejudiciais carecem sim de um panelaço com algumas coisas pegando fogo…. tipo o que houve na Inglaterra e na Argentina. Aqui nego confisca a poupança do povo e fica por isso mesmo… Tipo essa questão vai muito além da USP…
> 5 – Eu adoraria achar que iluminação e uma policia auxiliar que chama a policia militar resolveria o problema da USP…. Temos que ter um plano de prevenção de crimes e não de resolução dos mesmos e por isso a polícia ostensiva é necessária.
Ai entram 2 pontos. Não é caçando maconheiro que alguma coisa vai ser resolvida. E a violência tem que ser combatida de forma inteligente, se ter polícia na rua fosse o suficiente não teriam assaltado um banco em frente a Rota e a cracolândia não existiria… isso é um pensamento muito limitado. Como disse no texto a USP por ser uma universidade podia se propor a elaborar ações eficazes, com ou sem o apoio da PM. Mesmo porque daí entra o despreparo da PM, a má remuneração da PM e a rusga social e histórica que existe entre a PM e estudantes da USP. A questão da PM dentro da USP envolve muitas questões históricas, muita pendência. Claro que sempre vai ter aquele aluno folgado que vai querer continuar fumando maconha no campus, mas também vai ter o fodão da PM que tem raiva ‘dos estudantes da USP’ tanto por serem (em tese) ricos desfrutando de um benefício público, quanto pelas ocorrências da ditadura..
> Quanto ao sistema inovador de prevenção ao crime, ele não existe no momento, e a necessidade é imediata.
Mas esse é o maior problema do país agir apenas de forma imediatista… e assim as pessoas enfiam os pés pelas mãos e os problemas nunca são solucionados, vamos sobrevivendo. Não sei quantos anos você tem, eu tenho 35, quando eu era criança brincava na rua sem medo, vai no meu bairro hoje e veja se tem criança brincando na rua…
> Temo ainda que se ele for inventado por alguém que cursou a USP, ele será escondido, vendido
É um risco que se corre, mas da pra fazer isso como um projeto financiado, tipo uma pesquisa mesmo que uma das cláusulas do financiamento seja colocar isso em prática dentro do campus..
> Espero que meu tempo aqui sirva para que voce veja que há também argumentos contra esses que você encontrou na internet.
E espero o mesmo de vc
Quanto ao relato da garota eu ainda acredito no que ela disse. Claro que vc colocou um ponto interessante sobre os 400 policiais, mas ainda assim é algo bastante chocante.
Somos um país vindo de um ditadura militar recente, ainda temos um grande número de abusos de poder vindos da PM que é militar. Lembro no governo Quercia a PM bateu em professores que protestavam pacificamente na Paulista.
Meio que concordo, meio que discordo contigo sobre a ação da polícia. Ok os policiais não eram apenas pra retirar os alunos e sim pra impedir uma demanda de outros alunos ao local.
Mas além de uma ação discutível é uma ação assustadora você ver a tropa de choque vindo em sua direção
Ah desculpe que acabei postando logada no meu outro perfil do wordpress.
E foi muito bom discutir contigo!
Pensei numa coisa agora…
Como afirmei desde o início ambos os lados estão errado, mas a PM também quis dar uma demonstração de força, de poder, que só vai tornar mais difícil a convivência entre alunos e PM.
Eles podiam ter tentado vencer pelo cansaço, tipo deixa os estudantes lá, todo mundo apostava que a ocupação não resistiria ao feriado próximo, se passasse o feriado não acabasse o impasse daí sim seria o caso de usar a força.
Não sei como estão as coisas na USP hoje, se tem PM se tem rusgas e conflitos entre PM e alunos e entre alunos da FFLCH e demais cursos, mas sei que pra uma segurança eficaz uma das estratégias necessárias é a boa convivência entre polícia e população.
Como vc disse no youtube claro que entre 88 mil alunos não se pode garantir que nenhum é meliante, mas a proporção que esse caso tomou, a forma como a população passou a ver os alunos da USP não vai ajudar em nada com a segurança do local, creio eu que vá dificultar mais as coisas…
Mais uma (droga preciso aprender a digitar mais rápido…)
Ambos estão errados PM e alunos, mas o mais errado mesmo nesse caso foi a imprensa, que MAIS UMA VEZ está mais preocupada com Ibope do que com o país.
Vivemos num país onde muitas pessoas que tem acesso a internet não sabem diferenciar entre a maconha e o crack. Isso é mais uma lenha nessa fogueira. Independente de ser contra ou a favor do uso/legalização da maconha boa parte da população não sabe nada sobre as diferentes drogas existentes. Eu moro a menos de 1km da cracolândia, passo perto sempre, quando eu olho pra lá até entendo que tem gente que não acredita que aquilo existe, mas não saber a diferença entre um cara que usa maconha e um que usa crack é foda….
E nesse episódio todo em momento algum a imprensa (grande) deu voz aos alunos, colocou as questões históricas em cheque ou qualquer coisa assim. POis no fundo não importa se morreram 12 crianças no Realengo ou se um menino de 10 anos estourou os miolos, importa é o Ibope…
Por isso que o texto teve esse título…. independente de quem está menos errado a forma como as coisas foram passadas foi TOTALMENTE errado.
Meu tempo está limitado hoje, então se acaso não conseguir terminar de explanar minha posição ja me desculpo.
1 – Acredito que nenhum dos lados tenha fornecido DADOS sobre o ocorrido, oque eu vi foram imagens e opiniões. Este é o problema do jornalismo neste país. Como o povo não quer saber de noticia e sim de escandalo se passa mais tempo tentando achar um escandalo que buscando as bases para entender o fato. Ninguém forneceu informações confiáveis sobre : quantos policiais estavam no dia do ocorrido? Quanto tempo durou o problema entre PM e estudantes no dia 27? Tudo isso é não dito. Eu só posso buscar essas informações em uma análise mais acurada do que não é dito mas pode ser inferido. Por exemplo: não sei qto tempo durou o problema, porém sei que foi tempo o bastante para várias equipes de TV chegarem até um local afastado de suas centrais que é o Campus da USP, então sei que não foi uma discussão de 30 minutos. O que me faz desconfiar da afirmação do rapaz do video sobre a presença de 70 policiais patrulhando a FFLECH no momento do enquadramento dos 3 alunos. Acho bem mais provável que a discussão tenha começado e quando ganhou mais corpo e a manifestação estudantil começou a ganhar mais gente foi pedido reforço, como é de praxe em qualquer situação de agitação popular. Pelo que entendi da segunda parte vc culpa a mídia pela manipulação das pessoas sobre o ocorrido. Oras, acredito que ambas as partes podem ser acusadas de manipulação. A mídia em tese deveria ser isenta, sabemos a muito tempo que não é e por isso devemos desconfiar das informações que ela nos passa, eu faço isso o tempo todo e facilmente encontro incongruências nas notícias. Porém é ingenuidade achar que se o lado que deveria ser isento não o é o lado que é militante (professores, sendo que esses são os mais militantes dos ativistas de esquerda no Brasil, e alunos) se torna isento de qualquer parcialidade e devemos acreditar em tudo que falam por força de palavra e sem prestar atenção aos dados e não às afirmações.
Ex: Se todos falam que a polícia agrediu alguns alunos na reintegração, porque não há uma foto tirada de algum dos ocupantes machucados? Porque eles que são tão militantes, num mundo onde a rede virtual é de fácil acesso não publicam as provas desta violência?
2 – voce diz que poderia a PM ter tentado vencer pelo cansaço, porém você desconsidera que é uma força policial cumprindo ordens e que havia sido dado prazo para a desocupação, prazo este que foi extrapolado. Ainda foram cortados agua e eletricidade do prédio, porém a reitoria religou os dois por algum motivo que me escape, talvez puro revanchismo e intenção de criar a possibilidade da reintegração de posse pela força. Não acho em nenhum momento que o Rodas seja um santo e não tenha ficado puto com nego gritando que ele é bandido, sendo assim acho bem possivel que ao mandar religar a agua e eletriciada do local ele queria manter os alunos lá para o fim que se orquestrou. Concordo plenamente quando vc diz que a imagem que foi passada é a mais prejudicial para a resolução do problema de segurança do Campos, e culpo sim o Reitor por ter feito desse ato uma vendeta e com isso atrapalhar o trabalho da polícia que agora deve ser odiada por uma boa parte dos Alunos e de outro lado pela visão estigmatizada que se deu aos alunos da USP, que convenhamos, a maioria esmagadora estava em casa e não passou nem perto do prédio da reitoria ou mesmo da assembléia e do assunto.
3 – O problema de esquadrinhar por atitude suspeita é que você limita ai sua atuação à quem está em vias de cometer o crime. Não é possivel acreditar que bandido age de forma suspeita 100% do tempo, apenas age assim antes de cometer o delito, como você mesma salienta os crimes normalmente são cometidos em areas mais hermas e longe dos olhares alheios, e isto inclui em especial o policiamento. Não há bandido que vá cometer um furto com um policial olhando para ele. Sendo assim esse esquadrinhamento não serviria para uma atividade preventiva de crime, mas apenas para uma atividade de perseguição e punição de quem ja cometeu o crime.
4 – Ghandi num regime imperialista, num país repressivo em que os indianos eram qualificados como cidadãos de segunda classe em seu próprio país venceu por meio deste protesto pacífico. Não temos esta realidade aqui. Se a polícia sai batendo em estudante de classe média no meio da USP, não vai sair impune e sorrindo. Porém muito mais que isto, seu argumento acaba sendo o contrário do de Ghandi, ao invés de “estou disposto a me sacrificar pelo que acredito” quando se diz que a manifestação tem que ser não pacífica vc afirma que “estou disposto a TE sacrificar pelo que EU acredito”. Por favor, não tome como uma crítica pessoal ou ataque, porém é isto que significa. Enquanto as pessoas acreditarem que as manifestações populares tem de ser agressivas e não se quizerem se sacrificar por esta manifestação, é claro que estarão sacrificando outras pessoas.
Ex: Vou dar um exemplo de algo bobo e não violento. Se alguém vai e paraliza a paulista por 6 horas pode- ou elas estão faltando ao trabalho para participar desta manifestação. se deduzir duas coisas. 1 – ou estas pessoas tinham estas 6 horas livres. Como normalmente são estudantes ou trabalhadores em greve que fazem isso durante o horário de pico do transito e por um tempo deste nível quer dizer que eles não sacrificam nada deles, eles escolhem sacrificar os outros para chamar atenção ao seu problema e às suas idéias.
5- eu entendo seu ponto de vista quando diz que o policiamento é ineficaz, porque mesmo havendo policiamento há crimes. Porém oque eu posso dizer é que a população aumenta num nível que o efetivo policial não tem acompanhado. Somado a isso a migração interna para grandes centro como são paulo, torna quase impossivel a tarefa de manter um efetivo policial que dê conta de proteger a cidade. Não conheço a noticia do banco assaltado em frente à base da rota, até agradeceria se me mandasse o link da noticia jah que estou sem tempo de procurar por algo assim, em relação à cracolandia a questão é gigantesca. Abrange corrupção policial, interesses de gente muito rica que nunca é mencionada mas que tem dinheiro investido no mercado de droga, má remuneração de policiais, perseguição dentro da corporação a quem está contra o status de corrupção, etc. Poderia até apresentar dados sobre isto e dizer de minha própria experiência na polícia civil de são paulo que foi horrenda e me desliguei dela por isso, porém é uma conversa gigantesca e o assunto é diverso.
A questão das rusgas históricas é algo interessante. Nenhum dos estudantes envolvidos nisso viveu dentro da ditadura, todos tem menos de 30 anos e eram, no máximo,crianças quando a ditadura começou a se desmontar, nos idos de 1985, isto também vale para os PMs. A ação que vi foi de Pms com seus vinte e poucos anos e não cinquentões. Quem lembra dessas rusgas seriam então lideres maiores do movimento, ou seja, de um lado professores da usp e de outro os políticos. Porém este argumento perde força uma vez que os políticos que hoje se encontram no poder em todo o Brasil, notadamente PT e PSDB são ex militantes de esquerda que viviam as rusgas da ditadura do outro lado, o lado militante da esquerda, logo para acreditar que eles tem a pexa de serem conservadores de direita (coisa que não são) com saudades da época da ditadura me força a assumir que são todos eles loucos abilolados que sofrem de um transtorno psicótico que os faz acreditar que eram naquele tempo eles militares e não militantes.
Quanto ao sistema de segurança revolucionário, não venho aqui dizer que é impossivel ou que deveria parar de ser pesquisado, por favor, sou eu que mais quero que achem isso de uma vez e que o mundo seja pacífico e feliz. Que deus abençoe mil vezes a alma santa que fizer uso de sua cabeça iluminadíssima e resolver o problema da violência no mundo. Porém eu não posso com essa esperança virar as costas para o problema que existe Hoje e que se não enfrentado hoje com nossas possibilidades, por mais débeis e uins que sejam, não haverá segurança sequer para que alguém pesquise sobre isso. Como o rapaz do “eu, ateu” brilhantemente coloca, se está ruim com a polícia, imagine se tirarmos esse nosso inefetivo e parco escudo?
Claramente me coloco sempre em posição de respeito com qualquer interlocutor, e sendo assim, (se me permite a erudição besta) pelo próprio sentido etimológico da palavra,que deriva de respecere (latim) é a atitude de olhar novamente. Sendo assim só há respeito quando se admite a possibilidade de você estar errado e o outro certo e é nesta toada que sempre me coloco em qualquer discussão.
Por fim venho concordar plenamente que o assunto foi passado de uma maneira totalmente errada e não foi dada voz a ambos os lados (posso estar errado, confesso que assisto pouca TV e o pouco que vi foi no youtube e não na telinha global). Porém eu não sei se isso foi feito de maneira a criar ambiente de disputa e subir o IBOPE ou para manipular pessoas a uma realidade deturpada.
Abraços e bom dia
Ufa, consegui mais uma pausa aqui no trabalho


Bem, quanto ao testemunho da menina, acho sempre complicado acreditar em discursos parciais emocionados e vejo várias inconsistências lógicas no relato da mocinha. Se começarmos a nos basear pelo discurso de quem é parcial e diz que testemunhou tal coisa, e tendo meios para registrar deixa de registrar acabamos decidindo pelo lado que mais apela ao coração e não pelos dados que mais fazem sentido. O dito depoimento da garota é feito de maneira a demonizar um lado e enaltecer o outro. Quanto ao video que mandei, bem… o Rapaz é extremamente convincente por ser carismático, simpático e principalmente pontuar as coisas de maneira calma, porém no ultimo video dele eu contrapus as informações que ele passou com dados concretos (como ele falou em legislação por lah eu tenho mais subsidio e facilidade para contrapor, sendo minha area eu gasto quase nada de tempo para buscar essa informação) e ai vemos que ou ele é massa de manobra de alguém e acredita realmente no que fala, mas de fato não sabe do que está falando ou então é mal caratismo puro de alguém que mente sem ruborizar
Nós que somos um pouco mais conscientes de que há manipulação neste mundo e sabendo que a mídia é o principal meio de manipulação ja que tem quase o monopólio da informação nos prostamos sempre incrédulos quando alguém diz o contrário e parece revoltado contra a mídia. Acredito inclusive que esta é a melhor opção, manter-se cético quanto à midia, porém não podemos aceitar oque a outra parte fala apenas por força de palavra, devemos buscar a consistência nos argumentos que nos apresentam e principalmente procurar ver se nos oferecem alguns dados (sendo que informação sem prova não é dado, mas simples argumento).
Bem… trabalho denovo
bom dia
deixo aqui minha vergonha pela falta de pontuação e erros ortográficos que cometi nos ultimos comentários. Minha defesa somente pede a clemência alheia para alguém que escreveu de modo apressado, entre uma peça jurídica e outra e sem revisar o texto uma vez sequer.