Aproveitando o embalo de desopilação de fígado que me deu recentemente resolvi aproveitar e expor publicamente a minha versão dos fatos. Muita gente que me conhece já ouviu falar dessa história, afinal surtar em público não é algo discreto, ainda mais quando isso culmina no fim de um casamento de 6 anos, na frente de amigos, colegas, conhecidos e desafetos… mas esse texto é apenas sobre o bafon e não sobre a minha separação. Pois são assuntos muito diferentes.
Como começar? Bem, eu conheço o Charles tem alguns anos e por sermos duas pessoas de temperamento forte já rolou algum stress no passado, mas nem me recordo como foi. O Bacana organizou a excursão de Sampa para o Woodgothic e colocou o Charles como responsável pelo 2º ônibus. Não sei (nem me interesso saber) se ele foi pago ou se foi uma troca de favores, sei que as pessoas que ali estavam pagaram um preço justo pra estar ali.
Sobre minhas conversas com o Charles antes da briga. Gosto desse embate de idéias que por vezes parece mais uma briga que um debate, então toda a conversa que eu tive com o Charles antes da parada do bus foi uma conversa entre amigos. Por mais que por vezes não parecesse. Eu admiro pessoas que tem coragem de defender seus ideais. Pena que eu não sabia que a coragem dele não ia muito além disso.
Acho que viajar, por mais que a gente tente descontrair, é sempre algo estressante. Banheiro de ônibus é meio urgh e o tempo na estrada vai cansando. Então sempre Tento relevar as coisas, mas meu pavio não é dos maiores ainda mais que estava meio eufórica com a maravilhosa noite que tinha sido a anterior.
O primeiro embate: a viagem saiu com atraso de uma hora ou mais, teve um acidente na estrada que atrasou mais uma hora a viagem. As pessoas queriam que fosse antecipado o local planejado para a parada. Devem ter falado com ele sem sucesso, pois vieram me pedir para falar com ele de novo. A pessoa que me pediu era de um casal muito simpático que havia levado o filho deles de 6 meses, então tínhamos um bebê no ônibus, o que não foi problema pra ninguém, pois ele era um docinho de calmo.
Meu 1º argumento para antecipar a parada foi o cansaço de todos e o fato de ter um bebê no ônibus. A resposta do Charles foi “não é problema meu se tem um bebê no ônibus” em tom suficientemente alto para que o casal escutasse. Vamos por parte, quem era mesmo o responsável pelo ônibus e representante do Bacana ali naquele momento? Não sei qual foi o acerto do casal com o Bacana, mas sei que eles conversaram sobre a criança. Então a vontade que me deu foi de responder “tem certeza de que não é problema seu?”, mas tentando fazer com que a viagem fosse o mais tranqüila possível a todos apenas joguei o 2º argumento e lembrei dos atrasos, convencendo ele assim a ir falar com o motorista.
Como pra mim estava tudo tranqüilo fui para o fundo e fiquei batendo papo com outro amigo meu, nessas parece que rolou outros stress com o Charles, mas não tenho certeza. O que sei é que o bus parou, como estava no fundo fui uma das últimas a sair. Estávamos eu, K e Alfredo saindo quando eu parei pra pegar minha bolsa e eles seguiram ao restaurante. Foi quando me dei conta de que era a única pessoa consciente dentro (ou perto) do bus.
Todo mundo, incluindo o Charles que era o responsável pelo bus, tinha ido para o restaurante ficando no bus eu e uns 3 capotados. E eu, que estava num estado eufórico, fiquei sem saber o que fazer: saio rápido a procura de alguém? Fico aqui esperando alguém aparecer? Por conta da alteração que a euforia me causou e a vontade de fazer xixi acabei optando pela pior escolha e sai correndo em busca de alguém. A 1ª pessoa que encontrei foi o naquele momento meu marido que correu ao ônibus e concordou por várias vezes comigo que o Charles tinha sido irresponsável e que haviam pessoas ao redor ‘estranhas’.
Logo em seguida encontro o Charles e digo “poxa todo mundo desceu do ônibus e deixaram o ônibus sozinho, você pode ir lá que eu só vou no banheiro e comprar algo e vou lá pra ti”. Eu não xinguei, não acusei e não gritei (posso ter falado de maneira aguda por conta da euforia, mas não gritei).
No banheiro eu escutei uns gritos do Charles com a esposa dele, mas meu xixi me esperava (e em briga de marido e mulher ninguém mete a colher).
Ao chegar no salão do restaurante encontro o Charles aos berros com o motorista que estava almoçando, por não achar isso correto ou necessário eu gritei de onde estava “Charles pega leve” quando ele passou a falar (ou eu passei a prestar atenção no que ele dizia) “o senhor pode ir fechar o ônibus pois a Ophra (em minha referência) mandou”.
Como eu disse tenho o pavio curto e não pestanejei respondi na lata: “Como é que é? Você está errado é ainda sai gritando com as pessoas? Vai se fuder seu folgado do caralho”
Charles: “Você vai voltar a pé depois dessa”
Minha resposta “Vou voltar a pé o caralho eu paguei por essa merda”
Aqui se faz necessário 2 adendos:
Adendo 1: para algumas pessoas a partir do momento que eu xinguei eu perdi a razão. Eu concordo em partes. 1º que eu sou assim, bateu levou, na hora que é pra ser mais prático. Sei que opinião é igual bunda, mas não vejo uma diferença assim tão grande em ofender as pessoas na base da humilhação e do palavrão. Mas reconheço que se ele viesse posteriormente se desculpar caberia a mim retribuir com outro pedido de desculpas.
Adendo 2: pra quem ainda não sabe eu sofro de transtornos de humor (distimia). Ou como sempre tentam me atingir sou “louca”. Buenas, na verdade muito me alegra ver que o maior defeito que as pessoas apontam para a minha pessoa é a minha loucura, algo que posso tratar e controlar e ser uma pessoa melhor. Num mundo com um egoísmo tão desenfreado, onde parece que as pessoas só se preocupam com o problema ‘delas’ e os demais que se fodam, que bom saber que meu maior defeito é ser louca. E mesmo com toda a minha loucura eu sou uma pessoa integra e que penso no todo e não apenas em mim.
Esse foi um dos motivos de eu ter ficado tão aflita por conta de abandonar o ônibus. Tive medo que algo acontecesse, fosse roubada uma bolsa ou mesmo o ônibus (ok isso foi fruto da minha neurose e desconhecimento sobre como se liga um ônibus, mea culpa).
Como disse, a minha ‘loucura’ pode ser tratada e controlada e para isso sou medicada com fluoxetina (o famoso prozac) tem alguns anos. Mas por esquecimento + imprudência + correria da viagem fiquei 2 dias antes de ir sem tomar medicação e esqueci/perdi os comprimidos que separei para levar. Totalizando 5 dias sem medicação.
Algumas pessoas cogitaram que eu teria feito isso de caso pensado, mas não dá pra prever qual o efeito de ficar tantos dias sem a medicação. Poderia ser um surto de choro e/ou agressividade, uma queda de pressão brusca com direito a taquicardia, desmaio, espasmos, uma dor de cabeça muito forte, um distúrbio no sono. Ou nada… não da pra saber. Então de maneira nenhuma fiz isso de propósito, não costumo beber e isso nunca foi um problema pra mim. Além de já ter bebido anteriormente (o posteriormente abafa ok) sem nenhum dano. A fluoxetina não é algo assim tão forte. Não dá pra ficar ‘doidão’ tomando a quantidade recomendada pelo médico com um pouco de álcool. Então posso ter sido distraída, atrapalhada e até imprudente por não ter verificado, mas em momento alguns (exceto na noite anterior a viagem pois queria acordar cedo) deixei de tomar a medicação de caso pensado.
Esse adendo é necessário pelo seguinte. Após o bate boca no restaurante eu surtei, sim é verdade, não foi maldade, isso realmente aconteceu, eu surtei em público e de maneira grave. Não me envergonho nem me orgulho do que aconteceu. Pra mim ter um transtorno de humor é ter uma doença como outra qualquer. Surtar daquele jeito mediante meu quadro clínico foi como se eu tivesse tido uma crise de asma ou diabetes. Eu não escolhi ter esse descontrole emocional e por mais que eu tenha sido imprudente por ter esquecido a medicação, que atire a primeira pedra quem nunca fez nada parecido.
Uma das principais características da minha distimia são crises de choro. Um choro sem um motivo condizente (as vezes sem motivo nenhum), que perdura, que traz pensamentos destrutivos, agressivos e suicidas. E assim eu entrei no ônibus (sem ter comido ou bebido nada na parada) me joguei num banco mais ao fundo e chorei. Isso aconteceu cerca de 16h chegamos em São Paulo as 20h e continuei chorando até as 3 da manhã quando capotei de cansaço.
Bom como disse no meio dessa crise acabei me separando, mas isso é outra história. Se eu estivesse com a minha medicação em dia teria xingado o Charles do mesmo jeito, isso faz parte da minha personalidade, não é nenhum transtorno (apesar de transtornar muita gente), dificilmente levo desaforo pra casa, ainda mais de um cara que estava errado. A diferença é que depois de mandar ele se foder (acho que mandei tomar no cu também) eu teria comprado uma Pepsi, uma barra de chocolate e dali uns 30 minutos estaria calma novamente conversando normal com todo mundo, menos com ele é óbvio.
Tenho plena consciência de que o que o Charles fez não justifica a minha reação. Fui muito além do que a situação pedia. Mas eu me pergunto, o que custava pra ele num ato de amizade, camaradagem, caridade e humanismo. Ao me ver aos prantos descontroladamente, ir lá me pedir desculpas e me dar um abraço?
É mas meu surto não era problema dele… deve ter sido isso….
E sabe o que foi pior? Depois de pagar esse mico (pois doença ou não, foi maior mico) e findar um casamento (que já estava em crise, só pra constar). Eu além de louca já fui chamada de ladra e mentirosa por conta dessa história…
Foi roubada uma câmera digital dentro do ônibus e a pessoa lesada um dia me mandou um email meigo dizendo “não quero receber spam de uma ladra de câmera digital”. Ehh beleza como é a vida.. eu me fodo pelo bem de todos e ainda me acusam de ter dado a Elza… Como o bus ficou vazio por uns dois ou três minutos não dá pra saber se foi furtado na parada ou não. Eles me acusaram por eu ter ficado sozinha dentro do ônibus, o que é uma grande injustiça, pois além de um dos lesados conhecer o meu então marido e saber que vivíamos um nível financeiro apertado pero não miserável. Chorei o tempo todo, não teria nem condições de sequer pensar de fazer uma coisa dessas. Além do mais se eu quisesse furtar alguém era só pegar de boa e descer do ônibus pianinha, pra que alguém brigaria pela segurança dos pertences que estavam no ônibus e depois furtaria os colegas?
E o Charles mostrou que além de folgado é duplamente covarde, tanto por ter gritado com mulheres e com uma pessoa que estava subordinada a ele, quanto por não ter culhões de assumir o ato. Primeiramente disse que estava brincando, como se gritar com alguém que você nem conhece enquanto essa pessoa está fazendo a refeição dela, pudesse ser colocado como brincadeira. E depois resolveu dizer que não gritou com ninguém. O que além se contradizer (ueh ele não ‘brincou’ com ninguém então?). Me coloca como mentirosa, pois apesar de ter muitas testemunhas no local a maioria ficou sem entender o que estava acontecendo, e meu primeiro contato foi apenas com ele, então é a minha palavra contra a dele.
Ou seja:
Tu não é homem rapá!
Além de ter feito a merda não tem culhão de assumir? Mas eu tenho sim!!! Te xinguei e xingo de novo e se me der na venetta xingo pessoalmente quando te encontrar. Tu é folgado, covarde e mentiroso! A soma pra mim resulta em filho da puta.
Um dia, seu filho da puta, tu vai gritar com alguém que como eu não leva desaforo pra casa, mas ao contrário de mim vai ter tamanho pra enfiar a mão nas tuas fuças. Nesse dia saiba que um dos socos vai ser em minha homenagem.
[bate boca virtual mode off] Eu disse que se me der na venetta falo isso na cara dele, mas pedi pra ele me ignorar caso me encontre pessoalmente. Não por medo, mas por respeito aos amigos em comum prefiro apenas deixar essa merda clara (mas se ele quiser acertar pessoalmente estamos aí, apenas lamento ter que me reter ao confronto verbal…)
Pra quem questionar o porque eu estou falando disso agora. Mesmo tendo passado tanto tempo, 10 meses, esse assunto ainda me incomoda. Como está diretamente ligado a minha separação e apenas agora estou conseguindo lidar melhor com isso, somado a onda de limpeza e revolts que me deu essa semana + o show do Opera logo mais a noite onde se por um lado irei ver alguns personagens dessa história, por outro estarei entre amigos que me aceitam e respeitam como eu sou e vou me divertir pra caralho me incentivando a enterrar esse assunto. (sim isso não é um blog de notícias, é um blog pessoal, muitas vezes o que eu escrevo aqui serve de terapia).
E pra ficar claro. Minhas críticas ao Wood nada tiveram haver com isso foram assuntos diferente. Em relação ao Bacana (que era o organizador da excursão), infelizmente a posição dele foi acreditar na palavra do Charles, hoje eu falo normalmente com o Bacana, mas quando soube que ele acreditou que o fdp não gritou com ninguém, isso me chateou bastante. Por vários motivos (não sei se essa briga foi um deles) o Bacana decidiu não fazer a excursão deste ano para o Wood. Eu espero que apesar de tudo quando surgirem outras ocasiões o Bacana volte com suas excursões trevosas, mas que escolha melhor quem ficará representando ele, que procure alguém que tenha mais caráter e educação.
E para ficar mais claro ainda, minha intenção com esse texto é expor meu lado da história. O Charles tem o dele (os dele na verdade). A única pessoa que pedi para se afastar dele foi o Sergio, que era meu marido e não fez nada num momento tão difícil. E o fato dele ter se recusado a manter distância do Charles (nunca esperei e muito menos pedi para ele agredi-lo ou trata-lo mal, apenas pra manter distância) é o principal motivo de não nos falarmos mais nos dias de hoje. PORÉM ESSE PEDIDO FOI APENAS AO SERGIO. Nunca pedi, nem esperei, nem espero que as pessoas se afastem do Charles por minha causa. Não quero ninguém defendendo ele na minha frente, mas não preciso que ninguém vire a cara pra ele por minha causa. Mesmo porque existe amizade e coleguismo e quem sabe, por mais que ele não tenha pedido desculpas pra mim, quem sabe ele não deu uma revisada nos conceitos e procurou ser uma pessoa melhor. Vai saber… eu só quero distância.
E já que tamo com a mão no tanque…. O principal motivo da minha amizade com a Hêlo ter acabado foi o fato de quando fomos conversar pra nos acertar ela veio falar bosta sobre essa história, eu respondi “eu mandei ele fechar o cu dele! Pedi ao desgraçado para ficar na porta do busão que depois eu ia pra lá. E se quer voltar a ser minha amiga nunca mais defenda esse filho da puta na minha frente”. Em seguida ela me bloqueou. Sei que fui grossa, como também me estressei com ela dentro do ônibus (fato pelo qual eu pedi desculpas depois). Mas acredito que ela não tinha nada que vir defender um cara que poderia muito bem se defender sozinho, mas prefere mentir por aí. Da minha parte não se falando mais no assunto estaria tudo bem, mas acho que ela preferiu ficar com as pessoas mais descoladas da rodinha e não a chata da Ana Cranes. É um direito dela…
Essa é a minha versão dos fatos, não sei o que as demais partes (Charles, Sergio e Hêlo) dizem, nem sei se realmente me interesso em saber.
Hoje todos nos encontramos nas baladas e fingimos não nos conhecermos. Talvez seja o melhor a ser feito…
Existe lados da história, mas isso não é uma guerra da minha parte ninguém precisa escolher com quem manter a amizade. Vai fazer seu aniversário numa balada? Não será a primeira nem a última vez que irei cruzar com os demais a gente finge que é desconhecido e fica tudo beleza. Agora se for uma reunião em casa com 10 ou 15 pessoas prefiro que não me chame, mas que me conte, pois odeio saber das coisas vendo fotos no Orkut/facebook.
[...] que minha separação se deu numa crise, imagine meu auto controle nesse momento… nenhum. Pra ajudar a você se foder sempre tem um [...]