Daqui a pouco vou pra Salto, estão chegando os momentos finais da vida da minha tia Alice e queremos estar ao lado da minha prima neste momento tão difícil.
Eu até que estou bem, a pancada foi paulatina de forma que acabou sendo melhor absorvida. Pra mim na verdade tem um certo tempo que minha tia se foi. Quando ela perdeu uma das pernas me senti de luto pela perna dela, foi estranho, mas pensava ela perdeu uma perna, mas continua sendo a mesma pessoa, só que sem uma perna.
Quando ela perdeu a segunda e foi junto o que restava de sanidade, foi como se eu estivesse vendo ela morrer em vida. O que é mais estranho ainda.
Mas acho que quem mais queria prolongar a vida dela era minha prima, acho que vai ser mais difícil ver ela sofrendo sem poder fazer nada do que ver minha tia indo continuar sua jornada, já que pouco restava pra ela aqui nessas bandas…
Me questiono um pouco sobre como será a passagem de um esclerosado, será que ela irá recuperar a memória assim que sair do seu corpo? Ou será que vai demorar um tempo maior pra ela lembrar por tudo que passou?
Na verdade a esclerose estava no início e ela se vai ainda se lembrando de todos nós, isso me dá um certo alívio, por mais que a gente saiba que é uma doença é doloroso ver a pessoa não ter idéia de quem são as pessoas que a amam e que ela ama (ou amava).
Mas sabem o que está doendo? Lá no fundo da alma?
Minha família nunca foi um exemplo a ser seguido. Nossa história é permeada de episódios vergonhosos. Um deles envolve um primo meu que foi dado pra adoção. Nessa história não houve mocinhos, só bandidos, todos tiveram seu tostão de falhas. Minha tia Antonia, por ter tido um filho de forma irresponsável, meu avó por ter dado mais proteção a um filho da puta do que ao neto e a filha que estava passando por um momento delicado, o filho da puta que nem considero como tio e as três irmãs da minha tia (incluindo minha mãe), mais por não fazerem nada do que pelo que elas fizeram.
Minha tia Alice foi quem arrumou a família para a qual a criança seria doada e isso causou um mal estar muito grande entre ela e a Antonia, mesmo a Antonia não assumindo. Isso tem uns 20 anos, depois de muito tempo minha tia Antonia teve um outro filho e por ironias do destino o marido a abandonou quando a criança tinha menos de 2 anos. E mais uma vez o destino pôs numa mesma roda as duas irmãs e outra criança.
Muitas coisas aconteceram, cada um conta uma versão dos fatos bem diferente da outra. Eu creio que ambas deram uma exagerada em suas versões…. Mas na época (na verdade da minha parte antes das duas brigarem) minha tia Antonia conseguiu se desentender com a família inteira. A doença da tia Alice fez apertar os laços da família e eu, minha mãe e a minha madrinha (a outra irmã) fizemos as pazes com a Antonia, noss intenção era apenas reatar com ela, mas todas nós tínhamos fé que diante da situação ela reataria com a Alice mesmo que fosse por piedade.
Mas nem mesmo agora que o médico já disse que é uma questão de dias ela não volta atrás.
A intolerância venceu no final. E isso está doendo mais do que ver minha tia Alice ‘fazer a passagem’.
Não sei quando volto de Salto (segunda se as coisas estiverem calmas), não sei quanto tempo irei demorar pra ‘tocar as coisas’, mas estou aqui me perguntando (e não irei me responder agora) se devo ou não responder a intolerância com intolerância. Provavelmente irei precisar de um tempo, mas se mantiver contato com a minha tia Antonia vai ser mais por ter visto a felicidade do filho dela em saber que tinha outros parentes do que pela minha tia em si. Não sei quem foi o mais certo ou errado há vinte ou há 6 anos atrás, mas sei quem está sendo agora e isso dói.
Ana,
Acho que foi muito bom você exteriorizar esse momento através desse texto.
Essas horas, por mais que tenha zica na família, imagino que seja muito difícil. Mas em compensação, acho bom que vc pelo menos tenha chance de se despedir dela (mesmo com esse começo de esclerose que ela tem).
Com minha avó foi assim, e fiquei totalmente em paz (apesar da óbvia saudade)
Pois quando perdemos um parente de repente num acidente… sem nos despedir… deve tirar totalmente nosso chão.
Um grande beijo e muita força pra você!
Saudade, hein!
Oi Ana, sobre sua pergunta em relação a saúde de sua tia ao desencarnar. Pelos estudos do livros dos espíritos de kardec, quando desencarnamos ficamos um tempo dormindo e nesse dormindo estamos sendo tratados para nos refazermos do desenlace aqui. Quanto mais apegados à matéria, mais difícil é uma pessoa entender que ela desencarnou. Quanto mais noção tiver de que existe vida noutro lado, menos tempo fica se refazendo e é mais fácil desligar-se do corpo. Em todos os casos, rezar pela pessoa é sempre benéfico. Emitir vibrações de carinho e incentivo.
A gente não fica doente no mundo espiritual. Lá não temos mais corpo físico. Mais uma vez: se a pessoa não se toca que morreu, ela pode ter a sensação de estar ainda com a doença, mas na verdade, é psicológico. Quando ela aceitar que não está mais dentro de um corpó de carne, os sintomas de qualquer doença somem.
Olha, todo mundo comete erros. Com a maturidade percebemos que não podemos ser julgados e nem julgar ninguém. E tb, podemos apenas perdoar ou não. Sermos perdoados ou não. Eu cho que bom é perdoar e se libertar das raivas para seguir adiante na vida sem rabo preso existencial.
Reze pela sua tia, para os amigos queridos da vida dela que já se foram ajudá-la no desencarne. muitas vezes pedimos nosso gênero de morte para queimar etapas mais rápido.
Um beijo!
P.S. adorei o link dos filmes e ter estado com vcs aí!! Valeu Aninha!
Putz Ana, que história triste…mas é isso mesmo, não existe família perfeita, somos humanos, com erros e defeitos…mas essa de ser dado pra adoção deve ser terrível para quem está sendo “doado” já pensou na tristeza que deve sentir? eu não consigo nem imaginar tal fato…bem de resto a alguns anos será revelado a ti o porque tudo isso aconteceu…alguns fatos atuais estão fora da nossa lógica de entender…mas diz o ditado: Deus sabe o que faz. Bjo.
ola
antes de mais nada, obrigado pela visita e cimentario no meu blog.
sobre essa historia que vc contou, ela é muito triste e espero que no final das contas, tudo fique certo entre a familia.
queria te fazer uma pergunta:
um colega meu, de 35 anos, foi diagnosticado com essa doença, e li na internet que ela pode matar uma pessoa em 1 ano, baseado no que aconteceu com sua tia, o que eu li na net tem sentido?
grande beijo, tenha fé e aguardo sua resposta.
Celso Ricardo
http://www.idioticetemlimite.wordpress.com
O humor levado a sério
Então Celso acho que só um médico poderia te responder com certeza, pois depende de muita coisa.
Minha tia teve a diabete diagnosticada e continuou a consumir doces, nem refrigerante diet ela tomava e isso foi por mais de 20 anos.
Quando o quadro agravou e ela começou a seguir uma dieta, as veias dela já estavam entupidas e não tinha mais jeito. Foi uma questão de tempo pra ela perder as pernas e além do corpo dela ser debilitado pela falta de cuidados ao longo da vida, o impacto psicológico da perda das pernas agravou o quadro.
Não é fácil ter diabete, mas se a pessoa se cuidar dá pra viver bem. É uma vida de restrições alimentares (o que pode levar a restrições sociais e tal), mas pra morrer em 1 ano creio que a pessoa teria que comer muito doce ou ter algum tipo menos comum de diabete.