Essa semana uma criança de 6 anos ficou pressa no cinto do carro que estava sendo assaltado. Ficou do lado de fora do carro, enquanto os bandidos saíram em disparada arrastando a criança do lado de fora como se fosse um embrulho qualquer …. E a criança é claro acabou morrendo. Não estou de forma alguma defendendo essa atitude bárbara, mas reparei numa declaração de uma “autoridade” (dessas que a gente nem se dá ao trabalho de ver quem ou o que é): “Temos que dar um fim na barbárie!” .
A forma brutal como essa criança morreu e passou os últimos minutos de sua vida revolta e comove a todos. Mas as vezes sinto como se só os casos extremos no tocassem. Como se a vida alheia tivesse se tornado tão banal que precisa ocorrer algo chocante para lembrarmos da situação que estamos vivendo. A dor de uma morte brutal é maior, eu não acreditava nisso até que passei por isso. Mas a saudade é a mesma, não importa se a pessoa foi arrastada viva ou se “simplesmente” levou um tiro.
Deus? Como chegamos nesse ponto? Em que as pessoas viraram apenas números e nós com nossos números de gente viva fingimos não ver o número de pessoas mortas. A violência precisa ser esfregada na nossa cara para enxergarmos. Pois do contrário continuamos fingindo que está tudo indo…
Indo? Pra onde?
Quando pensamos nisso muitas vezes caímos em desespero. Pois é um problema enorme, que cada um de nós individualmente não pode fazer nada para solucionar. Pensamos isso é responsabilidade do Governo… do Sistema. E esquecemos que querendo ou não, concordando ou não cada um de nós faz parte do Sistema. E não importa se você é anarquista, fascista, comunista, socialista ou apolítico. O sistema é a sociedade, você faz parte dela tanto quanto eu, seu vizinho ou o cara que sentou do seu lado no ônibus.
Faça sua parte! Acorde! Enquanto ainda é tempo!
A sociedade é um organismo vivo e nós somos as suas células. A ação de cada célula cria uma reação em cadeia que reflete no organismo como um todo. Pense nisso quando for jogar lixo na rua, fechar o carro de alguém, fingir que dorme para não ter que ceder lugar para um grávida… não que essas pequenas atitudes teriam salvado a vida dessa criança, mas quanto menos civilizados nos tornamos maiores são as chances de o que choca hoje virar mais um número no futuro.
Muita Luz! Mesmo!
Ana
Ontem fiquei com esta notícia na cabeça. Aí junta tudo: revolta , tristeza …
Tenho um filho pequeno então consigo imaginar a dor destes pais, como tb imagino a dor do pai que denunciou o filho à polícia qdo soube que ele estava envolvido neste crime.
Mas é fato que a sociedade está mais insensível e só casos extremos como este nos tocam …
Quer coisa pior do que ver a violência se tornar algo “normal”?
Oi, olha eu por aqui!
Vc tem razão, a medida que passa o tempo “nos acostumamos” com a violencia, com o medo, com a falta de vergonha na cara de algumas pessoas e a nossa propria. Infelizmente pelo caminhar das coisas logo nada mais vai chocar, nem revoltar, e a sociedade que é cada vez mais individualista vai existir mesmo só em teoria. É deprimente.
Bjus